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sexta-feira, 13 de abril de 2012

O impossível carinho


Escuta, eu não quero contar-te o meu desejo
Quero apenas contar-te a minha ternura
Ah se em troca de tanta felicidade que me dás
Eu te pudesse repor
- Eu soubesse repor -
No coração despedaçado
As mais puras alegrias de tua infância!
(Manuel Bandeira)


quarta-feira, 20 de julho de 2011

Beatrix Potter: inspiração bucólica em plena Londres vitoriana

Beatrix Potter em sua fazenda:  Hill Top
Poucas pessoas já ouviram falar sobre Beatrix Potter. Não, não é alguma personagem dos livros de J.K. Rowling. Beatrix é a autora, e também a desenhista, das famosas histórias do Peter Rabbit (Pedro Coelho, em português), cujo desenho animado passava nas tardes da TV Cultura na década de 90, lembram-se?

Primeira edição do livro The Tale of Peter Rabbit, 1902

Beatrix nasceu em Londres, em 1866, em plena era vitoriana. Nascida em uma família da alta burguesia inglesa, Miss Potter teve uma boa educação e passava as férias de verão em diversas propriedades no campo. Além do mais, por ser uma mocinha introvertida e solitária, era nos seus bichinhos de estimação que a menina encontrava companhia. Assim, desde cedo ela tomou gosto por observar a natureza e, aos nove anos, ela já fazia seus primeiros desenhos de animaizinhos.

Beatrix aos 15 anos de idade

  Bem, desde criança eu era fascinada por aquele desenho. Pelas historinhas fofas e pelas paisagens belíssimas do interior da Inglaterra vitoriana. Ah, os vídeos abaixo mostram algumas das minhas cenas favoritas! Como eu sonhava, desde criança, só usar essas roupas antigas e saber escrever com uma bela pena. E ter um coelhinho fofinho assim!





De uma pureza e singeleza incríveis, seus desenhos, em sua maioria aquarelas, agradam crianças e adultos de todos os tempos. Como essa leveza e capricho faltam hoje nos desenhos infantis! São todos tão agressivos e mal acabados! Por isso, os livros de Beatrix Potter são indispensáveis nas bibliotecas de quem aprecia a literatura infantil.

Qual desses você acha mais apropriado para uma criança? 

Ren & Stimpy, exemplo de desenho animado atual

Jemima Puddle - Duck, personagem de B. Potter
Beatrix começou sua carreira modestamente, ilustrando cartões de Natal e outras ocasiões especiais. Apenas em 1902  The Tale of Peter Rabbit foi publicado, com ilustrações coloridas, pela Frederick Warne & Co. Tão grande fora o sucesso desse conto que, no ano seguinte, outros de seus livrinhos foram publicados. Tal fato foi repetindo-se durante vários anos, totalizando vinte e três publicações. Além de escritora, Potter foi também uma figura importante no movimento de preservação do campo na Inglaterra, o qual estava ameaçado pelo crescimento industrial.

Beatrix em sua velhice. A artista faleceu em 1943, aos 77 anos.

O filme Miss Potter, de 2006, com Renée Zellweger no papel principal, busca mostrar um pouco da vida pessoal de Beatrix, marcada por várias dificuldades. Entretanto, a peça cinematográfica ressalta excessivamente uma visão feminista da artista e tal parcialidade deve ser vista com cautela. Mesmo assim, o filme é muito gracioso e merece ser assistido.

A atriz Renée Zellweger como Miss Potter (2006)

Para quem se interessar mais pela obra de Beatrix Potter, sugiro uma visita ao site http://www.peterrabbit.com/home.asp . Em inglês, o site oferece material para professores, receitas, ilustrações, cartões, jogos, loja de produtos, livros eletrônicos, artigos especiais para bebês, entre outras fofurices e curiosidades.  

Ah, vale lembrar que A história do Pedro Coelho já foi publicada aqui no Brasil, em 2009 (infelizmente, por uma editora esotérica) :



Para terminar, mais algumas ilustrações dos contos de Beatrix Potter:

In: The Tale of Benjamin Bunny

In: The Tale of Peter Rabbit

In: The Tale of Jemima Puddle-Duck
In: The Tale of Squirrel Nutkin

In: The Tale of Pigling Bland





sexta-feira, 3 de junho de 2011

Cada um tem um mundo dentro de si

Ultimamente tem sido difícil manter as publicações do blog constantes, como vocês já devem ter percebido. O temido final de semestre se aproxima, as tarefas da faculdade se acumulam, o tempo é escasso e, além disso, fora da vida acadêmica, algumas responsabilidades também aumentam. Há alguns meses, comecei a corrigir redações de alunos  para um colégio da cidade. Apesar do tempo necessário que se leva para realizar um bom trabalho, essa nova atividade tem valido a pena. Não, não tenho um retorno financeiro invejável. Apesar de ser uma fonte de renda, essa não é a principal razão para que o fato de eu corrigir redações me seja agradável.

Ao ler essas páginas, tenho acesso às informações do que se passa na mente desses jovens, dos seus sentimentos, das suas histórias, dos seus diversos modos de enxergar o mundo e a vida. Não são simples dados, sem significância. Também não passo a caneta vermelha riscando qualquer coisa em um papel. Apesar de serem simples manifestações da escrita em idade escolar, esses textos revelam os sistemas de valores de seus autores e, ao ler esse conjunto variado, tenho uma certa noção da alma e da mentalidade desses indivíduos em formação. Quando digo alma, não me refiro ao seu estado de graça ou não, mas às inclinações e às peculiaridades que são próprias a cada personalidade.

É muito curioso notar as semelhanças e as diferenças entre os textos. O formato da letra, a pressão da tinta no papel, a escolha das palavras, os modos de organizar os diversos elementos da sentença e o conteúdo dos textos formam uma combinação única a cada aluno, mas que às vezes se mescla com a de outro colega. As letras mais bonitas geralmente são de meninas, assim como os textos mais bem articulados. Mas há, de vez em quando, alguns meninos que fogem à regra e, quando surpreendem, o fazem  a valer.

Um tema sobre o qual eles escreveram, e que foi muito interessante ler os resultados, foi a descrição de uma cena que tenha sido importante na vida deles. Esse tema mostrou-me o quão distorcidos estão os valores da sociedade e como eles já estão se cristalizando na mente dos jovens, sendo considerados normais. Além disso, o desconhecimento da verdadeira religião, e até mesmo a aversão a qualquer uma delas, deixam suas marcas nas redações que li. Uma delas, foi a de um garoto, contando que ficou surpreso ao ver duas moças se beijando na boca perto da escola. Mas, depois de refletir um pouco, concluiu que elas eram muito corajosas por enfrentarem o "preconceito" e que não havia nenhum problema naquela atitude, pois elas deviam se gostar de verdade.

Outra redação, de uma menina, contava a tristeza que sentiu quando os pais lhe contaram que iriam se separar. Mas que hoje, ela vê que isso foi o melhor e está feliz, pois a nova "esposa" do pai está grávida e o "namorado" da sua mãe é muito bonzinho com as duas. Havia também uma, de outra garota, que contava como foi importante seu primeiro "namorado" quando ela tinha 14 anos...

Apesar dessas histórias tristes, li também algumas alentadoras, que são verdadeiras sementes de esperança nesse deserto que é o mundo. Numa delas, um menino contava feliz do nascimento da irmãzinha e dos detalhes desse dia especial que o marcou tanto. Outro, falou das férias que passava no sítio dos avós durante a infância. Contou minuciosamente dos detalhes da casa, do cuidado da avó com a comida, o cheiro de café, as pescarias com o avô num lago próximo. Aliás, muitas foram as redações que falavam sobre os avós. Uns, já falecidos, com uma narrativa repleta de saudades, outros ainda vivos, mas doentes ou enfrentando a viuvez. 

Uma redação que se destacou foi a de um garoto contando os últimos meses de sua madrinha, que falecera devido a um câncer. Foi lindo o relato das lembranças dele com ela e ficou muito clara a importância desse laço sacramental que une padrinhos e afilhados. E, em contrapartida ao rapaz que escrevera elogiando a coragem das moças que se beijavam, um outro menino, que aliás escrevia muito melhor que o primeiro, relatou, inconformado, o momento chocante em que viu duas mulheres trocando beijos imorais no metrô com a maior naturalidade.

Cada um tem um mundo dentro de si que o revela quando escreve. Quando corrijo essas redações, deparo-me com um pedacinho de cada uma dessas almas e, mesmo que nem sempre o que descobrimos seja ordenado e virtuoso, é maravilhoso mergulhar nessas ideias, histórias e sentimentos. Afinal, depois de quase ter perdido a esperança e de ter ficado com o coração apertado ao ver almas tão jovens defendendo o erro, aparece uma que vai na direção contrária e nos conforta, nos enche de esperança. Uma verdadeira consolação de Nosso Senhor.

segunda-feira, 18 de abril de 2011

Sinestesia

É incrível como algumas sensações marcam determinadas cenas de nossas vidas. Os sentidos estão ligados à nossa memória e, através deles, podemos reviver certas lembranças. 

Há pessoas que são mais sensíveis a esses detalhes e têm facilidade para criar conexões entre diferentes planos sensoriais. Posso dizer que sou uma delas. Para mim, os gostos, os cheiros, os sons e as imagens  se confundem em minha cabeça e são sempre associados aos momentos da minha vida. Como é gostoso brincar com os sentidos!

O texto a seguir mostra bem isso, além de trazer a saudade de bons tempos. Ofereço-o ao meu querido, que também é sensível a essas impressões e ama as coisas simples e belas da vida. 


Recordações 

Estação Mogiana, 1890
Eu estava excitadíssimo, coisa própria de um menino que contava 10 anos.

A velha estação da Mogiana era fascinante. Suas paredes eram feitas de tijolos à vista, e os arcos de ferro fundido que sustentavam o teto exibiam o capricho que os Ingleses tiveram nas construções das nossas ferrovias.

O pátio de manobras abrigava diversas locomotivas a vapor e outro tanto de vagões de diversos tipos. Alguns transportavam gado, outros, mercadorias, e até havia alguns próprios para transportar a lenha utilizada pelas locomotivas carinhosamente chamadas de Maria Fumaça. Mas eram os vagões de passageiros que fascinavam. Pintados de vermelho, janelas com vidros enfeitados com arabescos, tudo limpo e bem arrumado, poltronas protegidas com capas brancas.

Aqui e ali, locomotivas faziam manobras empurrando, puxando, trocando vagões de lugar. Parecia uma brincadeira de crianças.

Minha vontade era de sair correndo e ver tudo de bem perto. Meu avô, sentado em um banco de madeira com pés de ferro, como sempre, estava calado. Seu silêncio, entretanto, falava mais do que se estivesse conversando. Um olhar era o bastante para eu entender que deveria ficar sentado e quieto.
Meu coração batia descompassado.

Dentro de algum tempo deveria chegar o trem que vinha de Campinas e com ele alguns parentes. Meus tios que estavam para chegar eram a personificação da bondade e carinho. Eu os adorava.
Observei meu avô: sério, compenetrado, tomando seu cachimbo preferido com gestos compassados e elegantes, colocou no seu fornilho uma lapada de tabaco.

Ao acender o fósforo e chegá-lo ao cachimbo um cheiro delicioso se espalhou pelo ar. Eu conhecia bem aquele perfume.
Muitas vezes, bem antes de eu chegar à sua casa, já de longe percebia aquele cheiro. Era claro que o meu avô estava em casa.

Ali na plataforma da estação, o cheiro das máquinas, dos vagões, de tudo enfim fazia coro com o cheiro do cachimbo do meu avô.

Acomodado no banco eu aguardava o sinal da campainha anunciando que o trem partia da última estação.
De repente, um sinal estridente anunciava que o trem estava para chegar.
Com o olhar fixo na curva, aguardando o monstro de ferro aparecer, soltando fumaça e vapor, eu não tinha como não perceber o cheiro do cachimbo.
Na minha mente ficaram impressas para sempre as emoções daquele momento. E com certeza a moldura dessas reminiscências foi o perfume do cachimbo.

Hoje, após mais de meio século, nas tardes em que eu preparo o meu fiel cachimbo para alguns minutos de reflexão e calma, o cheiro do tabaco queimando leva o meu pensamento àqueles momentos inesquecíveis. Está para sempre impresso na minha retina: meu velho avô com seu cachimbo. E essa imagem mágica toma força quando eu rendo silenciosamente a minha modesta homenagem... acendo um fósforo e respiro o perfume da saudade.


Nelson Lopes de Paula 

quinta-feira, 3 de março de 2011

Para assistir com pipoca: O Pequeno Nicolau

Nesses dias de chuva, quem quer fugir da bagunça do carnaval não tem muita opção a não ser ficar dentro de casa. Pra não cair no tédio, algumas alternativas são interessantes, como inventar alguma coisa na cozinha, ver fotos de família, ler um bom livro, rezar... Mas também, um filme divertido, acompanhado por uma pipoca quentinha, é uma boa escolha para passar o tempo enquanto despenca o maior toró lá fora...

O pequeno Nicolau (França- 2009)
  
Inspirado na série de livros Les Petit Nicolas criada por Goscinny, criador dos quadrinhos Astérix et Obélix, e ilustrada por Sempé, o filme conta a história de Nicolau, um menino em idade escolar que descobre a gravidez de sua mãe e teme ser abandonado pelos pais na floresta. A ingenuidade e a imaginação do pequeno e de seus amigos são fontes de grandes risadas durante o filme.


Já que a história se passa na década de 50, o cenário e o vestuário (modelos de vestidos excelentes para se inspirar!) são uma graça e a vida familiar é mostrada de forma muito bonita, com suas alegrias e dificuldades diárias. A mãe de Nicolau merece uma atenção à parte, por seu amor à família e suas trapalhadas, assim como a paciente e dedicada professora da classe de Nicolau. Uma história fofa e divertida que com certeza agrada a todos!



O filme não está mais em cartaz e já pode ser alugado nas locadoras. Veja o trailer do filme em:

http://www.youtube.com/watch?v=48cnWr81oV4

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Ela chegou! Ebaaaa!!! / Casa da (minha) avó

Depois de alguns dias de grande espera, minha máquina de costura chegou! 
É uma Singer Facilita, idêntica à que eu usei no Senac quando fiz um curso para iniciantes.

Aiai... enfim, minha máquina

 É uma pena que eu esteja com tão pouco tempo...mas foi o suficiente para eu terminar uma saia que havia começado no curso.
Apesar de ser o modelo mais simples que existe e de algumas costuras terem ficados meio tortinhas, o zíper invisível traseiro é meu orgulho...rsrs.

Saia de tricoline, perfeita para o verão

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Ontem eu voltei do cursinho e passei o resto da tarde na minha vó. Almocei lá, dormi com ela, rezamos, conversamos, comi biscoito com café à tarde e, depois, comecei um par de sapatinhos de tricô pra nenê. Minha vó sabe tanta coisa que nem morando com ela um ano inteiro eu aprenderia tudo! Ela faz simplesmente de tudo mesmo: crochê, tricô, macramé, bordado em fita, bordados à mão, frivolité, pintura em tecido e...etc, etc, etc... Um dia eu chego lá. Mas do jeito que eu me ocupo com estudos, acho que ainda vai demorar um tempinho...

Mal posso esperar pra esse vestibular passar logo e eu passar uns bons dias de férias na casa da minha avó. Eu amo aquele lugar. Tudo muito simples, mas tudo muito aconchegante. A casa da minha avó, para mim, é sinônimo de infância feliz. A cozinha dela cheira café e é meio escura se não acendem a luz, só com os raios do sol entrando pela tela do vitrô da pia. O fogão deve ser da década de 70. O forno é meio devagar para usar, mas ainda assim preparam pizzas, pães, tomate seco e croutons. E as bocas dele, então! Preparam cada delícia...Doce de abóbora, de banana, de figo... Polenta, frango, molho de macarrão, marfufi, kibe, farofa...

O corredor e a sala estão cheios de livros! Desde pequenininha, ouvi muitas histórias da minha avó, sempre contadas com a entonação e o ritmo perfeitos. Foi com ela que aprendi a ler. Também aprendi a tabuada, as capitais, o catecismo... É uma professora nata minha avó. Mas não formada; fez apenas até a 4ª série do ensino primário. Ela lamenta por isso, mas eu sempre digo a ela que há coisas muito mais importantes para aprender que não se aprende nos livros ou nas escolas. E ela aprendeu e soube ensinar todas elas, como os valores cristãos, os bons costumes e muito, muito carinho e dedicação.

Santa Ana e Nossa Senhora Menina
Fico muito feliz por tê-la escolhido como minha madrinha de Crisma. Nada mais justo. Ela sempre, sempre, sempre rezou por nós. E me chamava a atenção para seguir no bom caminho, mesmo quando eu não queria dar ouvidos a ela. A sala tem uma bênção papal, trazida da Itália por uma irmã que cuidava de um orfanato aqui perto e as imagens do sagrado Coração junto ao Imaculado Coração de Maria. E, claro, pela casa toda há imagens de Nossa Senhora e de santos, como São Benedito, São Judas Tadeu e Santo Antônio. Ás 18hrs reza-se o ângelus e o terço. Sempre foi assim, com pequenas exceções, como um dia de médico, por exemplo.

O banheiro da casa dela também me traz recordações. Incontáveis vezes ela me deu banho lá. Também me lembro, quando aprendi a tomar banho sozinha, da minha dificuldade em lavar e pentear meu rebelde cabelo cacheado e da sua valiosa ajuda para desembaraçá-lo. Quando ela sai do banho, é uma delícia. Aquele cheirinho de sabonete, os cabelos penteados em ondas prateadas para trás... A pele dela é linda! Nunca vi uma senhora que também tenha 70 anos e tenha uma pele como a dela. Claro, alguma senhora que não tenha feito plásticas e outras maluquices...

A varanda está cheia de plantas e armários com linhas e lãs. Ela diz que Deus ainda tem que dar muitos anos de vida para ela dar um fim em todas essas coisas. Realmente, tem lã para mais de uma década naquela casa...rsrs. Mas ela está sempre ocupada, sempre com a mente ativa, apesar das dificuldades que a idade impõe ao corpo. Pela casa toda também há palavras cruzadas. São dezenas de passatempos que ela faz para aumentar o vocabulário, para escrever melhor, para distrair a cabeça...

As plantinhas da vovó são as mais variadas. Nos vasinhos há flores, folhagens com ativos terapêuticos ou apenas ornamentais e hortinhas. Também há uma pitangueira, não muito grande porque o espaço não é muito, mas que eu e meu primo subíamos para pegar frutinhas nas férias. Quanto chá eu tomei de boldo, guaco, gengibre, laranja, guiné... tudo retirado dos vasinhos plantados pela vovó. Apesar de detestar chás (considerava-os "xixi de folha" quando era criança), não tinha não querer. Ela mandava e era bom a gente obedecer. Ai quando minha vó fica brava...

É, eu amo muito minha avó e espero tê-la ainda por aqui durante muito anos. São tantos tesouros que guardo com ela e tantos outros ainda para aprender... É uma amiga muito querida, uma mãe, uma madrinha, uma professora, uma catequista. E por tudo isso, sou muito feliz e grata a Deus por tê-la como avó. 

Santa Ana, avó do Menino Jesus, rogai por nós! 

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Brincadeira de menina

Anteontem eu cheguei em casa tão ansiosa, pensando na máquina de costura que vou comprar, que não me aguentava. Não conseguia me concentrar para estudar nem nada. Acabei por desenhar alguns modelos que imaginei e por quebrar a cabeça imaginando como eu faria as modelagens...

Quando falei com o Fernando, depois do almoço, ele percebeu meu entusiasmo pela máquina e disse, fazendo gozação, que pra eu sossegar eu deveria entrar naqueles sites em que você veste a bonequinha com roupinhas e escolhe os cabelos.
Foi aí que, para a surpresa dele, eu disse "Boa ideia! Eu vivia fazendo isso quando era criança!"

Pois é. Para a surpresa dele, eu era uma assídua desses sites nos meus 12, 13 anos. Foi quando eu comecei a usar o computador com mais frequência. Lembro que minha mãe estipulava horários, para eu e meu irmão não brigar (mas isso não adiantava sempre, claro...rsrs) e que eu gostava muito de brincar nesses sites, fazendo bonequinhas com as mais diferentes roupinhas!

Eu sempre fui católica, mas na época, eu estava mais modernosinha do que nunca, entrando na fase da adolescência (blaaargh!) e indo nas ondas da moda. Então, minhas bonequinhas também eram assim: modernosas como todo mundo e sem a minha personalidade. 

Como o Fer me deu a ideia, então resolvi brincar de fazer bonequinhas. Só que agora com quase 20 anos e com a cabeça no lugar certo...rs. E saíram essas mocinhas:


Apesar dos sites não apresentarem só roupas modestas, consegui dar uma boa garimpada e montar esses modelitos. Aqui vão alguns sites legais pra você montar a sua bonequinha, ou Candy Doll, como chamam por aí:


Desperte a criança dentro de você e divirta-se!    
Mas cuidado: isso pode ser viciante...

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

"l'hippopotame, la girafe..."

Com essa correria, ando sobrecarregada e muito cansada. Parece que a qualquer momento meu cérebro vai "travar" e dizer "Chegaaaa". Devido ao meu cansaço mental extremo, parei para me divertir um pouco. Acabei revendo um dos meus vídeos favoritos no YouTube: o de uma menininha francesa, pequena contadora de histórias.

http://www.youtube.com/watch?v=WFs0gAXsDo8&feature=related

Além de dar vontade de morder essa fofura, é uma delícia escutar seu francês! E a sua desenvoltura ao contar a história, então. Ela usa de dramaticidade e de uma entonação perfeita!

J'adore!

Divirtam-se! 

terça-feira, 27 de outubro de 2009

Dinks: a meaningless form of living


Se há uma coisa que me deixa profundamente triste é ver um casal sem filhos. Por que as pessoas se casam? Porque se amam. E qual é o fruto desse amor? São os filhos. Ora, nada mais óbvio e natural que um casamento em que haja amor, haja também filhos. E não é de estranhar que a ausência deles seja algo anormal. Sim, anormal. Não é esse o natural. Assim como não é natural que um filho morra antes de seus pais e tal fato cause certo impacto no piscicológico comum, não é natural não ter filhos e isso é de causar grande surpresa aos outros.

Com certeza é uma grande pena encontrar casais que não puderam ter filhos por vias naturais. Mas sabemos que os desígnios de Deus são misteriosos e devemos aceitá-los conforme Sua vontade. E é por isso mesmo que impedir a concepção é algo tão incabível. Como impedir a ação livre de Deus em nossas vidas? Como negar o fruto de um amor, negar um presente que vem das próprias mãos do Criador? Isso é lamentável, pois impedir que se forme uma nova vida é também impedir que a Graça de Deus seja dada a uma outra alma, por meio do sacramento do batismo. Ora, isso seria o mesmo que limitar o alcance da Graça de Deus. Que ousadia, que arrogância! Como pode o ser humano querer ser tão dono de si mesmo, sendo que nada, absolutamente nada, lhe pertence? Querer ser dono de seu destino, completo autor de sua história, único responsável por suas ações...quanta soberba! Que cheiro horrível de liberalismo, iluminismo e todo o lixo herdado da Revolução Francesa...

Os erros espalhados demoniacamente pelo feminismo estão cada vez mais enraizados na mentalidade moderna. Segundo dados de uma pesquisa feita pela Síntese de Indicadores Sociais do IBGE em setembro do ano anterior, o número de casais sem filhos no Brasil praticamente dobrou de 1997 (997mil) para 2007 (1,94 milhão). Essa tendência nova de "família" são chamados de dinks (double income and no kids-dupla renda e nenhum filho). São casais que dão total privilégio a carreira e ao lazer, ou seja, trocam as fraldas pelas malas: viajam bastante, tem um alto padrão de vida e, às vezes, adotam como seus bebês o cachorro ou o gato da casa. Segundo a socióloga da Unicamp, Elisabete Dória Bilac, o casamento com filhos deixou de ser um padrão obrigatório.

Se já é doloroso o fato de algumas mulheres terem a necessidade de trabalhar para complementar a renda da casa, imagine hoje que as mulheres pensam em montar uma carreira. Não, a mulher não é incapaz de montar uma carreira de sucesso em seu trabalho, pelo contrário, ela tem sim inteligência e capacidade para isso. Mas não é esse seu papel. Uma casa precisa de uma figura feminina presente constantemente. O papel da mulher é o de esposa, mãe e administradora do lar. Sua essência, sua sensibilidade e todos os outros aspectos de sua natureza são direcionados para isso. "(...)"A maternidade é a função que absorve por inteiro a mulher, marca as menores particularidades de sua vida física, intelectual e sentimental"(A.D. Sertillanges, Féminisme et christianisme). Isso não quer dizer que a maternidade seja a única orientação suscetível de ser tomada pela mulher. Como qualquer ser humano, ela pode tornar filósofo, mecânico ou lutador de boxe caso tenha vontade! Isso, porém, não será inerente à feminilidade como tal. Só encontrará seu completo desenvolvimento e realizará as tendências profundas e inconscientes do seu ser pela maternidade. Confirmando esta antecipação, vemos que se pode atribuir a maioria dos casos de pscicopatologia feminina à ausência ou realização incompleta e malograda da maternidade. (Charbonneau, Noivado)"

Por isso, a mulher não deve colocar em primeiro plano sua carreira, já que isso não lhe compete. O homem é que detém a função de chefe e provedor do lar, conforme fica explícito na epístola de São Paulo aos Efésios. A natureza do homem é direcionada para isso. Ele tem força e liderança inerentes para ser responsável pelos filhos e pela mulher. Não significa que a mulher seja diminuída ou reduzida ao papel de escrava por estar submetida ao marido, como ocorre nos clãs muçulmanos. Essa obediência se dá por amor e é altamente dignificante à mulher. Afinal, a força do homem não serve para oprimir sua esposa, mas para lhe dar suporte, lhe proteger e fazer do casamento uma parceria. Portanto, o homem também tem inúmeras obrigações em relação a sua esposa, como também diz São Paulo: "Maridos, amai vossas mulheres como também Cristo amou a Igreja e por ela se entregou..."

Assim, tanto o feminismo como o machismo são linhas de pensamento reprováveis. A mulher não é menos inteligente ou menos digna que o homem. Não é escrava de seu esposo. Mas sim parceira, fazendo do casamento uma troca de virtudes, uma amizade elevada em que um ajuda o outro. Lembrando que o amor só é saudável e plenamente feliz quando está firmado nas bases da Lei de Deus e seu objetivo é a maior glória de Deus. Afinal, os esposos iniciam seu pequeno amor na terra para levarem-no à vida eterna.

Para que a misericórdia de Deus exerça-se com maior largueza na terra, uma nova alma é criada e, através do santo batismo, recebe a Graça divina. O matrimônio foi o meio utilizado por Deus para que haja a perpetuação da vida. Dessa maneira, o significado do matrimônio é totalmente modificado ao se evitar ter filhos. Lembremos que os filhos não pertencem aos pais, mas a Deus, que lhos empresta para que recebam uma boa criação, tornando-os aptos a um dia glorificarem Nosso Senhor nos céus. Ao evitar que essas vidas sejam criadas, nega-se essa tarefa a Deus. E quem somos nós para agirmos assim? Apenas vermes ingratos, orgulhosos, confiantes demais em si próprios e incrédulos na divina providência.

É claro que é extremamente exaustivo conciliar uma casa, filhos, um emprego e o marido. A dupla jornada é uma tarefa por demais pesada que as mulheres se auto infligem hoje, sendo extremamente prejudicial para ela mesma. Isso gera stress e frustrações, pois nada consegue ser feito direito: quando um lado vai bem, o outro vai mal. Só a sensibilidade feminina que pode criar um ambiente agradável e harmonioso em um lar e exercer com louvor o papel da educadora principal dos filhos que tem a mulher. Isso não significa que a mulher deva só ficar em casa trancafiada, mas que a casa tem sim uma necessidade grande e inegável da presença e ação feminina.

Mas muitas mulheres hoje estão escolhendo abrir mão de algo que é seu dever natural para se dedicarem por completo à carreira. E o pior, com a aprovação de seus esposos. Sim, o homem deixa de ser homem e a mulher deixa de ser mulher. Há uma confusão de papéis e a missão inicial que Deus instituiu para cada sexo é negligenciada. Que futuro triste terão esses casais que negam os presentes de Deus... Que vida solitária e incompleta! Que sensação de que faltou cumprir alguma coisa. Até quem opta pela vida religiosa sacia essa necessidade de maternidade e paternidade que há em cada ser humano. De forma diferente, claro, adotando filhos espirituais. Não adianta dizer que um gato ou cachorro supre essa necessidade. Duvido que o gato ou cachorro desse casal que só vive para si vai ampará-los na velhice...

O que me fez refletir sobre tudo isso? A horrorosa história que ilustra a capa da revista Veja São Paulo dessa semana (edição- 28/10/2009): o casal Angelita e Joaquim Gama, cirurgiões que se casaram, decidiram não ter filhos e chegaram juntos ao ápice da carreira. Ambos com salários incríveis, prêmios acadêmicos e reconhecimento da comunidade médica pelo brilhante trabalho que exercem. Só que nada disso leva à vida eterna... E nem animais de estimação ou plantinhas eles tem. Quer algo mais deprimente que isso? Está bem. Aqui está a afirmação da Dra. Angelina: "Na época, quem se tornava mãe tinha de interromper a carreira. Não estava disposta a isso e não me arrependo."

Errar e ainda por cima aprovar o erro é triste demais.
Só nos resta rezar e educar as gerações futuras de pais para que não caiam nos erros da modernidade.

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Santidade vem do berço

Disse Nosso Senhor: “Deixai vir a mim as criancinhas e não as impeçais, porque o Reino de Deus é daqueles que se parecem com elas.”(Lucas 18:16)Mas podemos dizer que as crianças de hoje são o modelo que Nosso Senhor nos aconselha a imitar? Infelizmente não.

O mundo moderno corrompe cada vez mais cedo os pequenos, fazendo com que eles percam rapidamente seu modo infantil próprio e adquiram características de adultos, perdendo a inocência e a pureza naturais da idade.É fácil notar isso em vários aspectos. No vestuário, por exemplo: é comum vermos menininhas usando maquiagem, sandálias com salto e roupas dotadas de certa sensualidade, como mini-saias ou shorts curtos. Também é fácil perceber que o vocabulário das crianças, desde muito cedo, já começa a se impregnar de palavrões e grosserias.

Vários fatores contribuem para essa lamentável realidade, como a influência da televisão e da internet, mas o pior é que muitas vezes essas influências ocorrem com a permissão dos pais. Deixar o filho assistir a uma telenovela (sessenta minutos de transmissão de pecados e falsos valores) ou falar nomes feios na frente dos filhos são exemplos de atitudes reprováveis dos pais, pois afastam as crianças do caminho da santidade. Ao invés de ensinar a criança a valorizar bens materiais e mundanos, que são passageiros, os pais devem ensiná-las a valorizar os bens espirituais, que são eternos.

Ensinar aos filhos, desde o berço, as orações do católico, a importância da Santa Missa, a moral católica e a rezar o Santo Terço são deveres dos pais. Tomemos como exemplo os piedosos pais de Santa Teresinha do Menino Jesus, os bem-aventurados Louis e Zélie Martin, um casal católico muito virtuoso que soube praticar e transmitir aos filhos o temor a Deus. Não há amor mais perfeito do que aquele que deseja a santidade do próximo, pois ela não termina neste mundo, mas será coroada com louros na vida eterna. Portanto, quem ama verdadeiramente seu filho deve ensiná-lo desde cedo a trilhar o caminho da santidade para a salvação de sua alma.

“Seria tão bom se as criancinhas fossem como antigamente, quando nem tinham uso da razão, mas já sabiam rezar o Pai-Nosso e a Ave-Maria”. (Dom José Cardoso Sobrinho, arcebispo de Olinda e Recife)
Artigo retirado do jornal: "A Voz do Oratório"(outubro/2009)