sexta-feira, 27 de julho de 2012

Reflexões de um fim de julho

Hoje foi meu último dia de férias. Ok, já é madrugada, então foi ontem. Mas, como eu ainda não dormi, pra mim ainda é hoje. Às vezes dá uma certa angústia me deparar com este ciclo interminável de aulas-férias-aulas-férias. Parece que minha vida se resume a isso há dezessete anos. Em breve, espero (?), terei também nesse grupo o "emprego". Estudar, trabalhar, breve descanso, estudar, trabalhar. Parece um eterno e imutável trinômio e isso me assusta. Trabalhar pra viver? Viver pra trabalhar?

Gostaria de fazer um curso de pintura, aprender francês e também uma atividade física, porque começo a perceber que isso é mesmo necessário. Queria ler mais o que eu quero, rezar mais, visitar lugares lindos, estar com as pessoas que eu amo. Passar mais tardes com meu irmão, dormir na casa da minha avó enquanto ela está entre nós, sair pra jantar com meu namorado e nossos amigos. Queria cuidar melhor das minhas plantas, me dedicar mais aos estudos do que me interessa. Mas não, não tenho tempo de conciliar tudo.

Trabalhar, acordar cedo, conviver pouco com a família e viver estressado são quase que virtudes hoje em dia. Se você não estiver dormindo na condução ou reclamando do congestionamento que você enfrentou para voltar pra casa você não deve levar a vida a sério, deve ser acomodado e ter tudo muito fácil. Não suportar esse ritmo louco de deveres extensos e tempo curto é frescura. Você não tem o direito de se sentir esmagado pelo mundo e ser contra isso, de gritar por uma pausa, de surtar um pouco. Isso é fraqueza, gente que não aguenta o tranco da vida de verdade.

  
Mas o que é a vida, na verdade? Se eu realmente, lá no fundo, acreditasse que ela se resume apenas a esse trabalhar-estudar-descansar pouco-trabalhar-estudar eu já teria me matado. Sim, pois isso é deprimente. É claro que não estou dizendo que devemos viver sem uma ocupação que nos garanta o sustento ou sem os estudos. O trabalho é importante e é até mesmo um dever, porém  ele é um meio, não um fim. O que vale mesmo nessa vida é o que teremos depois dela. Mas para chegar lá, temos de driblar todo esse materialismo que inunda nossos corações, resultado da ética protestante calvinista, do marxismo e do capitalismo selvagem, e focarmos (sem trocadilhos, por favor) na eternidade.

Mas por que isso é tão difícil? Por que é tão complicado se desvencilhar desse ciclo nauseante de correr contra o tempo para fazer um monte de coisas que, no final, não vão nos levar a lugar algum? O que será que nos impede de encontrarmos o equilíbrio entre nossos deveres neste mundo e o que vai nos levar ao Céu? Por que essa angústia e desânimo por um semestre que ainda nem começou?

Como sou fraca. Por mim mesma apenas, tenho nada.




quinta-feira, 7 de junho de 2012

A Custódia de Belém

Como hoje é a Festa do Corpo de Deus, selecionei alguns textos sobre a Custódia de Belém, uma peça de magnífica beleza feita para abrigar com toda a honra e respeito Nosso Senhor Sacramentado.
Salve Maria!


 
    
     A Custódia de Belém é um ostensório português de ouro e esmalte datado de 1506 cuja autoria é atribuída a Gil Vicente. Considerada a obra-prima da ourivesaria portuguesa, foi encomendada pelo rei D. Manuel I de Portugal para a Capela Real. D. Manuel deixaria este tesouro em testamento ao Mosteiro dos Jerónimos em Belém, que fundou e escolheu para seu sepultamento, juntamente com uma cruz do mesmo ourives, perdida, e a hoje chamada Bíblia dos Jerónimos. A denominação comum da custódia deriva deste facto. De estilo gótico tardio, na sua manufatura foram utilizadas 500 moedas de ouro trazidas por Vasco da Gama no regresso da sua segunda viagem à Índia em 1503, enviadas como tributo pelo régulo de Quíloa (atual Kilwa Kisiwani, na Tanzânia), que assim reconhecia vassalagem ao rei de Portugal. Desde 1925 a Custódia de Belém está exposta no Museu Nacional de Arte Antiga, em Lisboa.
     Os esmaltes abundantes são um dos elementos que conferem uma beleza especial à Custódia de Belém. A sua aplicação em ronde-bosse nas imagens é de um virtuosismo raríssimo, só observável nos melhores exemplos desta arte. A peça é rematada pela Cruz. Abaixo está Deus Pai, sentado num trono, coroado e vestindo pluvial. Numa mão segura o globo e com a outra faz o gesto da benção. Era rodeado por seis pequenas imagens de que só restam três profetas. Sobre o viril pende uma pomba, símbolo do Divino Espírito Santo. No centro, rodeando o viril de cristal onde era exibida a hóstia consagrada presa numa lúnula, estão as figuras adorantes dos Doze Apóstolos, todas diferenciadas. Uma Anunciação está representada entre os dois pilares da custódia, povoados de anjos músicos. A empresa de D. Manuel I, a esfera armilar, repete-se seis vezes em torno da haste. Na base encontram-se seis cartelas com animais e flores. Na ilharga lê-se a seguinte inscrição:
O. MVITO. ALTO. PRI(N)CIPE. E. PODEROSO. SE(N)HOR. REI. DÕ. MANVEL.I. A. MANDOV.FAZER. DO OVRO. I.DAS.PARIAS. DE. QVILOA. AQVABOV. E.CCCCCVI
(O muito alto príncipe e poderoso senhor rei D. Manuel I a mandou fazer do ouro das párias de Quíloa. Acabou em 1506.)
     A Custódia de Belém foi tomada como saque pelas tropas francesas durante a Guerra Peninsular, sendo levada para França, sendo devolvida após o termo da guerra. Consta que foi enviada para a Casa da Moeda, aparentemente para fusão, destino do qual foi resgatada pela intervenção de D. Fernando de Saxe-Coburgo-Gotha, rei consorte de Portugal pelo seu casamento com a rainha D. Maria II de Portugal.





     Tal como Jesus no útero da Virgem, também o corpo de Cristo na hóstia foi preparado por mistério divino e, assim como esteve guardado no útero de sua mãe, assim o seu Corpo - na hóstia, estará guardada no viril, onde se encontra protegida pela imagem da Virgem da Anunciação, do Anjo Gabriel e coberta pela pomba do Espírito Santo na Custódia de Belém, o Sacrário da Virgem.
     Assim como Cristo se rodeou pelos seus Apóstolos, também está a hóstia na Custódia, cercada pelas imagens dos Apóstolos, pela Virgem, pelo Arcanjo Gabriel, pelos profetas e por toda a hierarquia angélica. Assim como Cristo crucificado é dado a Deus Pai em sacrifício, também a hóstia após a consagração é depositada na Custódia e entregue a Deus Pai Todo Poderoso, que é representado com o mundo em suas mãos, reinando sobre tudo e todos, ocupando o lugar mais alto na Custódia. E nesta a Virgem tem um lugar de destaque: o Sacrário Virginal.
Retirado de (com alterações): http://www.gilvicente.eu/obras/custodia.html.

"Ecce Agnus Dei, ecce qui tollit peccata mundi!"
(Eis o Cordeiro de Deus, eis aquele que tira os pecados do mundo!)


Agnus Dei (F. de Zurbarán)




domingo, 3 de junho de 2012

Outono/Inverno: 3 vestidos

Era uma vez três lindos vestidos para usar nas estações mais frias... Qual deles você usaria? 


Vestido listrado





Vestido Estampado 




Vestido Liso



Para se proteger bem do frio, não se esqueça de usar meias. A fio 80 é ideal para os dias bem gelados.
Salve Maria!




quinta-feira, 31 de maio de 2012

Milagres Eucarísticos: O milagre de Guadalupe, Espanha

O próximo Milagre Eucarístico que vamos conhecer, de 1420, também ocorreu na Espanha e também envolve um padre que era tentado por dúvidas quanto à presença real de Jesus no Santíssimo Sacramento. O texto foi traduzido do original em espanhol dos calendários 2012 da FSSPX, distrito da América do Sul.

A Missa do Padre Cabañuelas (F. de Zurbarán)

Hoje em dia, no Santuário de Guadalupe da província espanhola de Toledo, ainda é possível admirar as preciosas relíquias do corporal e a pala ensanguentada que foram utilizados durante a Missa milagrosa pelo Venerável Padre Pedro Cabañuelas.

Durante um período, ele foi duramente tentado sobre a realidade da transubstanciação, mas em 1420 todas as suas dúvidas foram dissipadas. Enquanto celebrava a Santa Missa, no momento da consagração viu uma densa nuvem que impedia a visibilidade e baixava do alto para  pousar finalmente sobre o altar. Então, o Padre Pedro suplicou ao Senhor que suas dúvidas foram dissipadas. Lentamente, a nuvem começou a desvanecer-se e se apresentou uma visão. A Hóstia se encontrava suspendida sobre o cálice e dela brotavam grandes gotas de sangue que preencheram rapidamente o cálice até o ponto de se derramar sobre o corporal e a pala. 

Então, o sacerdote escutou uma voz que dizia: "conclui a Santa Missa e não revela por ora a ninguém o que hás visto". Mas o milagre foi divulgado pouco depois pelos religiosos presentes. Assim a notícia se difundiu por toda Espanha até chegar aos ouvidos do rei de Castela, Dom João II, e da rainha, Dona Maria de Aragão, os quais se converteram em grandes devotos do milagre. Isso é demonstrado pelo o pedido de serem sepultados perto do corpo do Venerável Padre Pedro Cabañuelas.



sexta-feira, 25 de maio de 2012

Para fazer agora: Panada

Com este friozinho que começou a fazer, uma receita que adoro e é super rápida é a Panada. Panada é um prato típico do nordeste da Itália, região da qual parte da minha família descende. Minha avó e minha mãe sempre fizeram essa comida na minha infância, por isso, pra mim, ela tem um quê de "comfort food", é uma comida alentadora.

O prato é simples, uma espécie de sopa bem encorpada feita com "pão velho", ovos, alho e queijo ralado. Pelos ingredientes, já se percebe que a origem da Panada é humilde, porém ela é muito nutritiva, além de deliciosa. Eu comi muito disso quando usava aparelho e tinha dores terríveis nos dentes e nos ossos da mandíbula. Já que não conseguia mastigar nada, a Panada era uma opção excelente para me manter em pé, pois ela é bem "molinha".

A aparência dela lembra mais a de uma papa de criança do que a de uma sopa, já que ela não deve ficar aguada: deve-se secar toda a água. Na verdade, ela não é muito bonita, confesso, mas é gostosa! Passo para vocês a receita que faço. Meio no "olhômetro", porque como é uma receita que utiliza sobras, as quantias nunca são exatas. Mas com a prática a gente se acostuma com as quantias e proporções.

Aproveite também para saboreá-la nas sextas-feiras, dias de abstinência de carne. Na Panada os ovos são a proteína, ao invés da carne.

Panada

Ingredientes:
  • óleo
  • 2 dentes de alho (Eu amo este ingrediente, por isso coloco dois dentes.Mas fica à sua escolha!)
  • 1/2 canecão com água fervente
  • sal à gosto
  • 4 pães amanhecidos cortados em fatias grossas (O famoso "pão velho". Mas cuidado, veja se ele não está embolorado!)
  • 3 ovos
  • queijo ralado à gosto

Preparo:

Em uma panela, frite o alho espremido em um pouco de óleo, até dourar. Depois, acrescente um pouco da água fervente e o sal, mas cuidado para não exagerar, porque na receita também vai queijo ralado, que é bem salgado. Coloque os pedaços de pão velho na água e vá mexendo, até os pães irem amolecendo. Se faltar água, coloque um pouco mais. Se sobrar água, coloque mais pão. Sim, é tudo no "olhômetro" mesmo!


 Antes dos pães amolecerem por completo, acrescente os ovos inteiros.


Continue mexendo a mistura. Após o cozimento dos ovos (os pedacinhos de clara estarão branquinhos), desligue o fogo e salpique por cima queijo ralado. Eu adoro queijo, então sou bem generosa nessa parte... Misture e tampe a panela, deixando o calor que restou derreter o queijo. Sirva em seguida.

A Panada pronta!

Espero que gostem!
Salve Maria!


quarta-feira, 16 de maio de 2012

Pressa Juvenil

Sou jovem, eu sei. Mas às vezes sinto que vou explodir com tantos sonhos guardados que esperam o momento certo para acontecerem. Quero tanta coisa! Uma vontade doida de querer abraçar o mundo todo por mim mesma. Como posso já tão nova (se é o que dizem) e não ter tempo para fazer tudo o que quero e preciso? Como dormir no mínimo oito horas por dia, praticar exercícios físicos com regularidade, tirar boas notas na faculdade, ganhar meu sustento e manter uma vida social saudável com apenas 24 horas por dia? Juro que estou tentando, mas não sei.


Sinto-me como se estivesse com minha "matrícula na vida" amarrada. Sabe, quando você precisa concluir uma matéria para só depois de concluída você possa se matricular em outra, caso contrário, você acaba travando seu curso? É exatamente isso que ocorre comigo, mas em proporções muito maiores do que as acadêmicas. Como é difícil esperar, ter paciência. E meu sangue italiano nesse quesito não me ajuda nem um pouco... Mas sei que é preciso. Afinal, o que posso fazer além do possível? O impossível está nas mãos de Deus.

Talvez isso seja orgulho nosso. Sim, queremos controlar tudo, sermos donos de nossos próprios narizes e fazer tudo no nosso jeito, quando e como queremos. Por nós mesmos. Às vezes isso nem é consciente, mas impulsionado por esse ritmo maluco de vida que tanto critico e no qual nunca vou me encaixar. Mas como saber o que é melhor para nós se não nos conhecemos nem a nós mesmos direito? Não temos como prever o futuro e saber as consequências exatas de nossas escolhas, todas as mudanças, boas e ruins, que aconteceriam em nossa vida. O que fazer então?

Bem, para saber o que fazer, em primeiro lugar, deve-se saber o que não fazer. Não podemos confiar em nós mesmos. Não, não somos tão inteligentes e infalíveis para isso. Esqueça aquelas frases motivacionais vazias do tipo "Você consegue, confie em você!"  ou "Ouça seu coração, você sabe o que é melhor." Mas a verdade é que não, você não sabe. Nós não sabemos o que é melhor para nós porque somos limitados, nossas vontades são desordenadas, tendemos ao vício naturalmente. Logo quando crianças, bem pequenos mesmo, até sem saber falar, quando começamos fazer nossas pequenas estripulias e somos chamados à atenção por nossos pais, mesmo sem entender o que estamos fazendo, ficamos testando a tolerância deles. Como uma criança que fica tocando o forno e a mãe diz um "Não!" bem enfático. Sabemos que o ato que realizamos é algo ruim, pois fomos reprovados, mas queremos continuar para ver o que vai acontecer se nós decidirmos por nós mesmos, se seguirmos a nossa vontade.

Se não podemos confiar em nós, em quem confiar? A resposta é óbvia, mas às vezes fazemos questão de esquecê-la, assim como a criança que busca testar a paciência do pai. Confiemos em nosso Criador, pois apenas Ele conhece nossos corações, nossas reais necessidades e o melhor para nossa alma. (Eu disse alma, não na vida terrena. Porque se você é daqueles que pensa que Deus lhe dará tudo o que você pedir na vida sensível, material, você realmente não tem ideia do que nós estamos fazendo aqui neste mundo e deve ler um bom catecismo...).

Se abandonar na vontade de Deus não é fácil, pois ainda mais com o pensamento do mundo moderno, somos muito apegados a nós mesmos, aos prazeres e confortos meramente sensíveis. Mas que loucura! Como pensar tanto nos gozos terrenos e se esquecer dos gozos da eternidade, que serão infinitamente maiores, simplesmente porque veremos ao próprio Deus, o Sumo Bem?

Waiting by the window - por Carl Holsoe

Sim, preciso acordar do meu delírio cheio de sonhos deste mundo, pois talvez ainda não seja o melhor momento para que eles se tornem realidade. Talvez esses sonhos não sejam o melhor para mim. Talvez simplesmente eu deva ser forçada a esperar para aprender a ter paciência e a me submeter, justamente, Àquele que tem o direito a isso.



 “Assim diz o SENHOR: Maldito o homem que confia no homem, e faz da carne o seu braço, e aparta o seu coração do SENHOR!” (Jeremias 17:5)


quinta-feira, 3 de maio de 2012

Milagres Eucarísticos: O milagre de Cimballa, Espanha

Outro post da série sobre Milagres Eucarísticos, com textos traduzidos do original em espanhol dos calendários 2012 da FSSPX, distrito da América do Sul. O próximo milagre ocorreu em 1370, depois de um padre, que era atormentado por dúvidas quanto a Real Presença, pronunciar as palavras da consagração.

Uma das Relíquias com parte do corporal
manchado pelo Sangue de Cristo


"Santíssimo Mistério Duvidado" é como é chamado em Cimballa o Milagre Eucarístico ocorrido em 1370 na Igreja da Purificação de Nossa Senhora. O Padre Tomás vivia aflito por fortes dúvidas quanto a Presença Real de Jesus no Sacramento da Eucaristia. Enquanto celebrava a Santa Missa, depois de pronunciar as palavras da consagração, viu que a Hóstia se transformava em carne e começava a sangrar abundantemente, derramando sobre o corporal.

Os olhos do Padre Tomás se encheram de lágrimas de arrependimento. Os fiéis, vendo-o tão perturbado, se aproximaram do altar e comprovaram o Milagre. A Relíquia foi levada em procissão e a notícia se difundiu pelos arredores. Sucessivamente, muitos milagres foram atribuídos ao "Santíssimo Mistério Duvidado", convertendo-se assim em objeto de grande devoção por parte de todos os fiéis. A Relíquia do corporal manchado de Sangue é exposta a cada ano em 12 de setembro, na ocasião do aniversário da festa do Milagre.