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A soprano Renée Fleming |
Ontem à noite fui assistir a um recital de uma cantora americana que gosto muito, Renée Fleming. Ao final da apresentação, ela foi para o hall do teatro e distribuiu autógrafos, como uma verdadeira prima donna. Como é de costume, fiquei observando a reação das pessoas. Umas estavam visivelmente emocionadas, outras agitadas, outras nem tanto. Vi pessoas na fila combinando o que falariam para ela, como agiriam na frente dela. Eu mesma fiquei meio nervosa ao falar com ela, tão boa no que faz e tão importante. Todos lá estavam bem vestidos, todos tinham se preparado para aquela noite com alguém tão famoso e especial.
Mais tarde, já em casa, naquele momento em que você deita na cama e tudo o que você passou durante o dia começa a ser processado em sua mente, me lembrei das apresentações nos teatros no século XIX. As grandes disputas entre atrizes e seus seguidores, como a entre lagruístas e chartonistas (respectivamente, admiradores da soprano italiana Emília La Grua e da mezzo francesa Anne Charton). Depois, lembrei dos fãs de hoje em dia, aficionados por atrizes, atores, cantores, personagens de livros, esportes e até zumbis... Enfim, pensei durante um bom tempo sobre a reação humana diante do objeto de admiração, muitas vezes de gosto extremamente questionável...
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Anne Charton e Emília La Grua |
Mas não é isso que eu quero destacar. O que me chamou a atenção foi outra coisa. Comecei a pensar que todos esses ídolos, sejam eles pessoas, zumbis, animais ou livros, são coisas do mundo, portanto passageiras. Mas mesmo assim, muitos se devotam a isso com uma determinação que não é vista para outros assuntos. Entre eles, o mais importante, o das coisas do Alto. Sim, as pessoas se preparam para estar diante de um ídolo, vestem-se bem, demonstram adoração, mas para coisas ou pessoas. Criaturas que um dia voltarão a ser pó. Enquanto, muitas vezes, ignoram que o Criador de todo o Universo é o único que merece tanta atenção. Não é que respeitar uma pessoa por um bom trabalho ou admirar uma obra bem feita seja algo errado. É óbvio que não. O problema é o exagero, temperado por uma emoção desenfreada, que cega a inteligência. Aquele fanatismo doentio e irracional.
E como ficamos diante de Deus? Será que dou a Ele minha adoração e gratidão diariamente? Por que vou vestida à missa da mesma forma que me visto no dia a dia? Porque não me arrumar e ficar o mais digna possível para ir ao encontro do meu Senhor? Será que preparo bem minha alma para recebê-lo no Santíssimo Sacramento? Estou consciente da importância infinita do sacramento que recebo? Será que minha postura é adequada diante do Rei dos reis?
Vejamos o quão maravilhoso é o amor de Deus para conosco. Embora pobres pecadores, Ele está presente em todos os sacrários do mundo, esperando nossa visita. Ele se dá inteiramente a nós em cada Missa, o Santo Sacrifício, com toda Sua importância, grandeza e esplendor. Enquanto os astros desse mundo demoram meses ou anos para fazerem shows perto de nós, Nosso Senhor quis estar junto de nós diariamente. Ele quer que sejamos íntimos Dele, que O conheçamos para que O amemos e assim salvemos nossas almas. Não é magnífico tudo isso? Como não adorá-Lo? Como poder esquecê-Lo? Como substituí-Lo por criaturas, por objetos efêmeros e negligenciar a vida Eterna ao lado do Amor dos amores?
Salve Maria!
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Irmãs Franciscanas da Adoração Perpétua, EUA |
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Irmãs Servas do Espírito Santo da Adoração Perpétua, EUA |
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Irmãs Clarissas da Adoração Perpétua, Irlanda |
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